Tuesday, July 31, 2007
Sunday, July 29, 2007
René Rilke!
“Tudo está em deixar amadurecer e então dar a luz. Deixar cada impressão, cada semente de um sentimento germinar por completo dentro de si, nas escuridão do indizível e do inconsciente, em um ponto inalcançável para o próprio entendimento, e esperar com profunda humildade e paciência a hora do nascimento de uma nova clareza: só isso se chama viver artisticamente, tanto na compreensão quanto na criação.
Não há nenhuma medida de tempo nesse caso, um ano de nada vale, e mesmo dez anos não são nada. Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda a amplidão e serenidade, sem preocupação alguma...”
Saturday, July 28, 2007
Sambamamos! Sambossamos!
Nos
Procurando-nos
Sem querer aquilo tudo ou quase nada.
Somos só este som
De quase-amor
Ou de estrelas (de)cadentes
Somos reticências
Naquela sextinha vermelha
Naquela cestinha vermelha
Somos um breve
Desmantelo azul
Mantê-lo
Azul.
Mantendo-nos
Somos.
Reticente!
Quero ouvir nada.
Nem você
Nem luvas
Mas seus gemidos
Tatuados
Me defloram as oiças, impiedosamente
E este som me faz coçar as mãos compulsivamente
Como uma inexistência de mundo
Quanto uma não havência em mim
Fico nada
Nem sou
Como teus barulhos
Surrupiadores de almas
Tranqüilas!
Ou.
Que simplesmente queriam ser tranqüilas. Mas se sentem ótimas com teus sussurros à beira das oiças.
Thursday, July 26, 2007
Para!
Ler poemas
Em voz alta até incomodar
os vizinhos sentirem-se pequenos com nossos
Barulhos e gemidos até as
Seis da manhã
Eis o que te tenho, para.
Camninhada! (MN)
Se foi.
Nem te olhei,
Sempre no olho
Esquerdo
Como era de costume
Nunca fazermos
Sempre Amor no salão.
Você se foi.
Se foi
Sem tropeçar,
Sem me olhar
De lado
Como nunca fazia
E me deixou caolho
De amor.
Você se foi.
Se foi,
Mesmo sob gritosas
Clemências
Implícitas
De rabia
E nada
Você se foi.
Se foi
Exceto por minhas mentiras
Pálidas
E anêmicas
Sou quase tudo
Uma meia-verdade
Nos teus olhos
De espelho
Você se foi
Se foi
E se antevejo
Você
reflexo
do meu inverso
sorriso
Tão seu.
Se foi
E fui te ter.
Se fomos.
Wednesday, July 25, 2007
Dorian!
Anda-se falando muito em distribuição de renda. Não há como fugir. O Brasil realmente tem uma impar distribuição de renda. Mas acho que ainda mais importante é a distribuição da beleza.
Por que uns com tantos e outros assim...
Acredito, mesmo, que as pessoas se sentem mais incomodadas com a beleza do que com a riqueza. As mulheres parecem que são beliscadas na alma quando vêem uma concorrente fêmea com mais poder, e para não ficar para trás: “É escova”, “É lente”, “É silicone”.
Pouco interessa.
PS.: Encontrei minha própria Dorian Gray
Tuesday, July 24, 2007
Po.e.na.da
Quem me socorre,
Se só corro a você?
(vazio)
Quem me destrói,
Se só eu posso te ver?
(vazio)
Quem somos nós?
Pretores de Amores Lúdicos,
Ninguém há de crer.
Se nos descasulamos em noites ferventes.
(dez.vazio)
Quem somos nós?
Meras imagens transfiguradas
De qualquer coisa que quis existir
Mas não encontrou forças
Para se deslocar, descolar, decolar,
Do Vazio.
Vazio.
Enfeites da alma!
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que sou triste...”
Sunday, July 22, 2007
Pedaços, Pedaços. Pedaços de Vinícius.
“Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.
Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina
Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.
...
... E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tenha piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!
Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!
Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.
Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.
...
Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!
Thursday, July 19, 2007
A
)
Poeticidade.
Nem imagino – nem me dei ao árduo trabalho – o que define a profundidade poética de um homem. O que o faz um Veríssimo ou um Fernando Pessoa. Também não sei quantos Rubens Fonsecas equivalem a um Tom. Ou o contrário.
Às vezes vou, às vezes volto. Não sei se o caminho é entrar ou sair, em mim ou nos outros.
Mas imagino – sem árduo trabalho – que se Vinícius escreveu o texto que segue sobre uma “mulher que passa”, realizem o que faria se amasse esta mulher como eu o faço*.
Pobre deste eu-mesmo, atabalhoado de auto-não-conhecimentos e...,armado de incontável amor e contável poesia. Para quê?
"A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça."
Pós.Scriptum: Nõa há, indeed, mulher que amo. Só (A) Poeticidade.
Mais do mesmo!
- Todos os que são criativos sabem o que é um vácuo criativo, ou um interstício, ou um interlúdio, ou uma espaço em branco.
- Peguntam-me por que “Fernando Pessoa” por tanto tempo. Pois:
“Há um cansaço de inteligência abstrata, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem irrequieta como o cansaço do conhecimento pela emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar com a alma”
Wednesday, July 18, 2007
Des.Fecho.?.
Um casal teve uma última discussão fervorosa. Ela quebrou o abajour. Ele falou da mãe dela. Ela falou de suas manias. Ele falou de filosofia. Ela desviou-se. Os dois gritaram-se. Incompreensivos. Os dois calaram-se. Incompreensíveis. Perceberam que discutiam sobre nada e nem mais lembravam do assunto. Ele vestiu-se. Ela o acompanhou até a porta. Ela ameaçou falar. Ele baixou a cabeça. Nunca mais se veriam.
Outro momento que carece de verborragias é o momento da morte (que os débeis costumam assemelhar a um sono profundo e eterno. Só os débeis). Quando as amantes do finado chegam ao velório, conhecidas uma da outra, apenas se fitam, irrequietas. Que se diria naquele momento? “tudo bem?”. Tudo, agora, é um silêncio e um abraço.
E me encerro, com uma frase, só ela, - talvez desprovida de sentido - que pode descrever o que alguns tentaram dizer a vida inteira:
“O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cizenta, pela rua estreita que fito” (Bernardo Soares)
Por Veríssimo!
“Estou numa ilha deserta com uma palmeira e cinco caixas de champanhe. Acendi uma fogueira para poderem me localizar. Por favor, mandem ajuda”
O 13º bilhete diz:
“Estou numa ilha deserta com duas palmeiras e quatro caixas de champanhe. Acendi uma fogueira para poderem me localizar. Por favor mandem ajuda.”
O 24º bilhete diz:
“Estou numa palmeira deserta com duas ilhas, três caixas de champanhe a Demi Moore. Acendi uma ajuda para poderem me localizar. Por favor, mandem fogueira”
Dias depois:
“Estou numa fogueira com duas Demi Moores, quatro palmeiras e duas caixas de champanhe para poderem me ajudar. Acendi um favor, mandem uma ilha”
Depois:
“Estou numa Memi Doore com dois favores, uma caixa de champanhe, uma ilha, um deserto, 17 palmeiras e um elefante. Avisetei um navio no horizonte e apaguei a fogueira depressa”
Finalmente:
Estou numa ilha com 17 Medi Roomes, 15 elefantes, 10 palmeiras, 8 favores desertos, ajudas acesas e 6 fogueiras. Mandem 5 caixas de champanhe”
Tuesday, July 17, 2007
Desventuradamente
O mundo dos sonhos não é, senão, uma representação, quase sempre, sórdida, quiça sodômica, das angustias mais entranhadas do que, talvez, não te seja, mas proximamente o desejo do alheio sobre a própria identificação.
Um universo onde as conspirações são reais. As realidades são paralelas no infinito. Ou é a rendição do Demônio da realidade ao Deus das distrações, ou.
A velocidade dos (im)pulsos (a)cerebrais dela sintonizam (desventuradamente) meu tempo, e me deflora os devaneios até então inundados de silêncio poeirento; e me perturba a ordem; e mexe no meu café; eme deixa nú de mim mesmo; e me acorda sem fin, sem fim!"
Sunday, July 15, 2007
Humm..
Segue:
"no final, é que aparecem as melhores ideias, e aquele sorriso da facilidade
é irritante... e atrapalha a concentração, de forma que fica
até sem saída, e às vezes sem ter pra compartilhar esse momento...
se todo mundo sabe da tua vida, é porque tu é importante...
mas às vezes te deixa desnudo, e fica ao léu, o que as pessoas pensam
se torna verdade, mesmo que seja mentira...
é o que eu acho...
esse teu texto me indentificou...
vou ficar famoso se Deus quiser...
mas tem que ficar preparado psicologicamente...
esse texto cabe a varias interpretaçoes...
essa é a minha...
sem ter bebido nada!!! =]
hehehehhehe
que saudade da cachaça
Tony Borba, com VIDA
"VIDA!
A vida é um quebra cabeça,
são pedaços de te que se vai,
são pedaços de mim que não tem,
são momentos de pura beleça,
que com tempos perdidos,
se encontram,
se dão
e se atraem."
Como diz um querio amigo:
"Levanta o menino. E bate palmas"
Saturday, July 14, 2007
Quemero, Quemera!
me derrama novos horizontes de percepção.
Aqueles dentes.
(infelizmente)
Todos aqueles dentes
e mais uma nova percepção de perlustrar o mundo...
É minha musa se estiver longe.
Semblante de rabia não comove.
O que se vê de você
Todos sabem
(infelizmente)
Serve de nada.
Transparência é teu nome.
(infelizmente)
Tudo de você
É quase nada.
Todos sabem.
Somos nada
Em tua tudisse..
Somos isso
Em tua nadisse.
Se tu tudo isso
Ou nada
Nada interessa.
Nada disso.
Nada.
Pode ser você.
Pode ser você?
Seus músculos a flor da pele.
São sempre sorriso.
Sempre flor.
Sempre pele.
Vez, mais, te assimilo, menos, pouco.
Ninguém me crê
Dizendo que descasulo.
E que não sabem quando nos descasulávamos.
Em noites(?) de freio, frio, que seja.
Você é nada novo.
Nada.
Novo.
Apenas novas novidades derramadas em descasulos.
Friday, July 13, 2007
Confissões
Sempre que penso nisso, sou acometido por uma dor aguda, extensa e inadjetivável (pois) no cotovelo direito e por uma dormência nas glândula salivares, eu creio.
Wednesday, July 11, 2007
Frases, Frases... Pessoa Veríssimo e Liver!
“Entupo meus tupos de gritos e cafeína para abafar os badalos que me abalam em pós.”
“Em devaneios, numa tabacaria, fumando – ou não – charutos sujos de palavras difíceis, recordarão amores que nunca sentiram e triunfos que não alcançarão”.
“Li cinco páginas de um livro de Fernando Pessoa e me sinto violentado. Parece que li 30 páginas de algum dos meus livros idiotas”.
“A Arte e a Vida moram na mesma rua, logo ali na frente. A arte que alivia da vida sem aliviar de viver, que é tão monótona quanto a vida, mas em lugar diferente.”
Um novo amigo me trouxe de volta à realidade: “Fortaleza tem oitenta pessoas. E todas se conhecem. O resto são hologramas utilizados para completar a paisagem. Pode reparar que a prefeita tem os mesmos traços daquele flanelinha.”
“Litania
“Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos – um poço fitando o céu”
“Tudo que sabemos é uma impressão nossa, e tudo que somos é uma impressão alheia, melodrama de nós, que, sentindo-nos, nos constituímos próprios espectadores ativos”
“Em nada me pesa ou em mim dura o escrúpulo da hora presente. Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições.”
Tuesday, July 10, 2007
Mais Fernando Pessoa
"Passa tudo isso, e nada de tudo isso me diz nada, e é alheio ao meu destino. Talvez até ao destino próprio"(que é o destino do próprio destino)
