Thursday, May 31, 2007

DEMÉRITO X MÉRITO

MÉRITO às jovens garotas, aparentando aspirantes a arquitetas, que sentam-se nos chãos das livrarias. Abrem um livro de arte (Impressionismo) e um de arquitetura (Architecture in the United Kingdom) e tentam achar, exaustivamente, influências recíprocas nas duas formas de arte.

DEMÉRITO aos que ainda não descobriram que cafés de livrarias não se destinam a gritarias e algazarras. Permite-se, no máximo, conversas pacatas.

MÉRITO aos casais de namorados adolescentes que sentam nas praças de alimentação e ficam caladinhos, observando o movimento, com um olhar altivo. A mão dele postada suavemente sobre a mão dela. Total comunicação num silêncio acalentador.

DEMÉRITO aos Senhores de barbas agrisalhadas que gritam com suas mulheres vestidas de vermelho enquanto as filhas choram segurando um sorvete que escorre pelo casquinho. Surrupiando, assim, a mansidão que deve ser peculiar às tardes de domingo.

MÉRITO à cordialidade no trânsito.

DEMÉRITO à imprudência.

MÉRITO a este Liver que vos escreve por se julgar um espertão quando vai a uma livraria e lê um livro inteiro pagando apenas 5 reais (duas xícaras de capuccino).

DEMÉRITO ao mesmo por esquecer recorrentemente de andar com uma caneta e deixar diversas idéias boas se esvaírem.

Thursday, May 24, 2007

Adendo

Favor desconsiderar post passado. O meu texto concorre. Mesmo que eu ache que não tenha alguma chance.

Monday, May 21, 2007

HEDONISMO

Não sei se os Senhores tomaram conhecimento, mas a excelente Revista Piauí realiza um concurso literário onde as pessoas devem escrevem um texto encaixando uma frase aleatória indicada pelos editores da revista. A frase é “e escondeu um punhado de cânfora no tanque de sua Harley.”

Meu texto não foi aceito, por tratar de tema muito polêmico. Eis o sistema de escolha do site: “O melhor deles sairá na revista – ou seja, perdurará na língua portuguesa pela eternidade afora. À medida que as tentativas forem chegando à redação, desde que não assustem crianças, parlamentares ou a bispa Sônia, ficarão expostas à impiedade do juízo público aqui no site.”.

Não é desta vez que meu nome fica marcado para a eternidade. Prossegue um homem a procura de um sonho. Suspeito que tenha sido excluído quanto ao quesito Bispa Sônia. Permanece a minha dúvida. Segue o texto em versão quase integral, já que se é pra chocar, vamos chocar de verdade.

Hedonismo.

Ato prelúdico.

Teve de criar um atalho para se livrar das recorrentes crises psicóticas de sua Avó. Desde que começou a entender o mundo, aos quatro anos, ela o castigava, às vezes sem motivo, batendo sua cabeça contra paredes. Certa vez, o garoto atrasou-se quatro minutos para a aula de piano clássico e foi obrigado a passar um dia inteiro ajoelhado no milho.

Para lidar com aquilo, Fred tentou dar outra dimensão àquela tortura, e, como por desvio psicológico, começou a buscar barato naquelas cenas de dor. No começo foi difícil, pois ninguém, aparentemente, relaciona-se positivamente com o sofrimento.

As primeiras vezes que experimentou prazer naquela sensação, sentiu-se um doente e, depois ser agredido pela sua Avó, flagelou-se ainda mais, com auxílio de um chicote, para aprender a não fazer mais aquilo: “deleitar-se com a dor é indício de insanidade”. Tornou-se habitual sua Avó admoestá-lo, e ele, em seguida, se torturar por se sentir excitado com aquilo.

Ato Intermediário.

Fred pendeu para o masoquismo. Todas as noites descia a Augusta a procura de alguém que pudesse flagelá-lo.

Certa vez, numa destas noites mais apimentadas, Fred começou a dar tapas cada vez mais fortes numa garota já conhecida. Quanto mais aumentava a intensidade, mais a garota gritava. Dado momento, ela começou a gritar por socorro. Mas ele sentia cada vez mais tesão com o tormento alheio. Perdeu a noção do mundo com tanto prazer. Fred teve um orgasmo e desmaiou.

Acordou com muita dor nas mãos. Sangue entre os dedos.

Quando retornou à consciência, a moça estava com parte do crânio dilacerada.

O garoto horrorizou-se com o acontecido e correu para casa. Chicoteou-se novamente para aprender. Contra seu arbítrio, incorporou mais uma psicose: assassinar mulheres, espancando-as. A dor passou a ser um prazer secundário, e ele começou a experimentar uma relação esdrúxula com a morte.

Ato conclusivo.

O procedimento era sempre o mesmo: ligava para as putas masoquistas, combinava o preço do “gauge” e as levava para casa. Amordaçava-as e, para evitar gritos desnecessários, as banhava com álcool e cânfora. Alfim, ainda sob o transe de sua psicose, limpava os membros com jornais velhos; jogava o corpo num terreno abandonado, contíguo ao seu prédio, e tocava fogo no corpo. Acendia um último cigarro e deixava a fumaça esvair-se entre os dentes encardidos, enquanto dirigia sua Harley, sem nenhum destino. Este era o último momento que sua mente captava. No dia seguinte chicoteava-se num misto de punição e prazer, que, em sua cabeça, eram indissociáveis.

Certo dia a polícia foi avisada. Quando Fred notou a sua presença, entendeu que aquela cidade já era pequena para os anseios de sua mente problemática. Deu um ultimo trago em seu cigarro pós-coito, e escondeu um punhado de cânfora no tanque de sua Harley.

Meses depois, encontrou-se numa travessa da Nova Dutra uma moto jogada, e um corpo cremado.

Fred encontrou sua consagração: praticou sexo necrofílico consigo mesmo.

Saturday, May 19, 2007

The Amazing Baldwin´s Theory!

Estudos recentes demonstraram que um filme americano tem três características básicas: uma mulher de seios grandes, um loiro – cujas garotas brasileiras eram fãs aos 16 anos – e um Baldwim. Isso. Todo filme americano tem um Baldwin.

Normalmente eles são os atores coadjuvantes de filmes principais ou atores principais de filmes coadjuvantes. Ou então aparecessem apenas no fundo do vídeo. Ou aparecessem apenas uma vez, para trazer uma mensagem do futuro. Incrível, mas quase sempre aparece um Baldwin no vídeo.

Quando não são atores, são diretores. Ou assistentes de alguma coisa. Semana passada vi um filme que, nos créditos, mostrava um Baldwin como assistente de fotografia. Assistente de fotografia? Só os Baldwin mesmo.

É verdade, pode conferir. Próximo filme que for assistir procure um Baldwin. Às vezes não é tão fácil achar. Mas garanto que existe.

Tuesday, May 15, 2007

Conversas Furtadas Aéreas!

***

- Vixe, percebesse que a moça do caixa só tem UM dedo na mão esquerda!?

- Eita, é memso! Que triste!

(e tinha um dedo mesmo, eu vi!)

***

- Você sabe né? eu vivo viajando. Tem vezes que vou a três destino num dia só. Todo lugar que eu chego, aparece isso no celular "procurando rede". Só na Bahia é diferente. Lá aparece no celular "Já já eu vou, meu Rei. Já tô indo"

Sunday, May 13, 2007

Filhos da Burguesia. Boa noite e Boa Sorte.

Eu, Erik Liver, um mero escritor por hobbie, tenho mais um crônica cotidiana a respeito da violência. Como não me apetece mais extensos textos, lograrei um breve relato.

Desta vez, levaram o som do carro. Do carro do meu pai, o que é pior.

Vem alguém me dizer “Louve a Deus, por que nada te aconteceu”.

Eu não aceito isso. Agradeço a Deus por tudo, mas não acho certo que concordemos com esta balbúrdia que virou a cidade do Recife.

O som que roubaram não valia, na feira-do-troca-de-Prazeres, nem 50 reais.

Mas não foi 50 reais que me roubaram. Foi a faculdade de andar na rua. A tranqüilidade de uma tarde de domingo. O poder de desfrutar uma Água de coco à beira da ex-bela Praia de Boa viagem.

Nos últimos seis fins de semana, eu conheço alguém que foi roubado em Recife. A violência está próxima de mim. De você.

Eu tenho uma teoria. Recife sempre foi latifundiária, patriarcalista, machista e burguesa.
Enquanto estes crimes horrendos povoavam apenas as periferias, tudo estava ótimo. A elite achava que quando a violência chegasse na ex-bonita praia de Boa Viagem, ela tomaria uma decisão.

Tarde demais. A violência crescente esta vitimando os filhos da burguesia, que nada mais tem a fazer do que deixar relatos em e-mails e discursos emocionados em jornais de grande circulação.

Fazendo minhas as palavras de Paulo Victor: “Sem som, sem dignidade”

Aos que ainda habitam esta louca cidade do Recife. Boa Noite e Boa Sorte.

Fica mais um relato de violência, que, no máximo, se tornará uma corrente de e-mails sem nenhum efeito.

Friday, May 11, 2007

Conversas Pernambucanas Furtadas!

Gravei aqui com meus botões algumas conversas furtadas

***
Num posto de gasolina:

- Mermão, vamo nessa?

- Tu nun vai!?

-Bora.

-Tu vai mermo é? Achei que tu tava brincando. Então bora.

***

No Campus da UFPE, Domingo do Campus, dois garotos fantasiados de Roqueiros:

- Tá ligado aquele solinho do Iron? ti tuiunrim tim ri turiuntim...

- ~Tô, Tô.

- Pronto, tem uma musica dagente que é igualzinha.

***

No Campus da UFPE, Domingo do Campus, dois garotos e uma garota fantasiados de comunistas, com boinas e camisas do Chê:

(os dois homens) - VOCÊ FOI MORRATA COMIGO!!

(a menina) - O que é isso!?

(eles) - É a nova do Caetano.

- E o que é "Morrata"?

(eles) - Sei não, mas sei que é assim!

***

Numa mesa de boteco em Olinda:

- A turma diz que eu gosto de Catinga. Mas nun é isso. Eu gosto de cheiro de gente.

***

Numa galeria qualquer:

( pai) - Ó prali, Johnny, que Gostosa!

(O filho, defendendo a mãe) - Mermão, deixe de ser tabacudo, doido!

***

Logo após a prova, na barraquinha de chiclete:

- E aí, Federal, foi boa a prova!?

(EU) - Foi. Foi boa.

- Ta vendo aí? não disse que meu gabarito era cacetêro!

Thursday, May 10, 2007

Discussão Gramatical de Utilidade Abrangente!

No fim de tudo, as pessoas se conectam e ficam amigas por que encontram afinidades, maiores que as desafinidades. Eu andei dizendo, nessas conversas furadas, que gosto de Rebeca por que ela é capaz de discutir coisas de relevância mundial, a nível de mundo mundial mesmo.. Ela me disse hoje que entrou numa séria discussão com um amigo que escreveu abigobal com “U”. Ela não me disse quem foi o amigo, mas é claro que ele estava errado. É obvio que é ABIGOBAL se escreve com “L”. Nem sei se Aurélio catalogou isso, afinal o dito cujo não tem lá muita afinidade com as expressões do povo. Mas, de qualquer forma, eu tenho certeza que é com “L”.

Aposto que alguns acham essa discussão impertinente. Pois julgo de muita relevância. Tem gente que acha mais importante saber se a palavra certa é “inconstitucionaliscimamente” ou “anticonstitucionaliscimamente”, apesar de Diógenes Valença, o Didi, afirmar que esta segunda palavra existe. E como vocês sabem, com Diógenes não se discute.
Outra dúvida foi com a expressão Tabaréu. Se se escreve com “L” ou com “U”. Pela minha lógica a palavra “Tabaréu” provêm da expressão latina: “Tabacudum est Tabarellis, anus viratum mellis”, razão pela qual a sua corruptela aportuguesada deve ser escrita como “Tabarel”. Segundo Paulo victor, que vem a ser meu primo, Tabarel é um peixe, e se escreve com “L”. Então estamos acertados.
Agora pouco li outra palavra que me gerou dúvida: “cassete”. Pra mim, cassete é aquela fita. Eu sempre falei “cacête”, pensando que era com “c”, mas agora fui conferir com Aurélio e ele diz que cassete é a de ouvir mesmo. Quando você manda alguém pro Cacete, é com “c”.
Já “tabacudo” eu sei que se escreve “tabacudo” mesmo, mas lembrei de falar do tabacudo por que a Luciana, aqui de fortaleza (observem que o artigo a diferencia da minha querida Luciana de Recife), me disse que em Fortaleza não se diz “tabacudo”. E fiquei matutando: “Como vivem as pessoas sem poder chamar as outras de tabacudo?”. Provavelmente, deve haver um substituto quase perfeito pra tabacudo aqui nesta cidade. Eu ainda vou descobrir.
Se você é um cearense, novo leitor de crônicas de um recifenses e não sabe o que é tabacudo? Preste atenção no exemplo.

Logo que cheguei aqui no Ceará, dois camaradas se aproximaram e um deles soltou:

- Foi você que chegou há pouco de fora?

-Sim, fui eu mesmo – respondi convicto.

O engraçadinho, cutucando o outro, retrucou:

- Ele nun entendeu não, macho. “A por o cú de fora”, “ há pouco de fora” – hahaha

E ficou mangando da minha cara.

Lá em Recife, com certeza, todo mundo ia chamar esse cara de Tabacudo.

Wednesday, May 09, 2007

Pequeno Dicionário Cearês-Recifês!

Visando integrar os meus leitores pernambucanos e cearenses (dois lá e um aqui), vou tentar mostrar, periodicamente, algumas expressões exclusivamente – ou predominantemente - cearenses.

Começarei com algumas:

Dá valor – Cearenses não simplesmente “gosta” de alguma coisa. Cearense “dá valor”. Ex.: “- ahn, você mora em Recife? Em recife eu dou valor ao Sport”. “DAR VALOR” é, obviamente, muito maior que “gostar”.

Mah – abreviação do trivial MACHO. Serve para iniciar e para terminar frases. Serve para falar no meio das frases. Serve para falar solto. Serve como vocativo. Serve como aposto. Serve como virgula. Serve para colocar na salada. Serve para encher o pneu do carro. Serve para marcar página de livro. Serve para usar no banheiro. Serve para esquentar pão de queijo. Serve para mandar em sondas espaciais endereçadas a planetas com nomes esquisitos. Serve pra tudo. Exs.: “Mah, tu nun tem idéia não, mah”, “ei, mah, vem cá”. “Qual o telefone desse mah aih!?”, entre outros...

Frescar – é o que se chama no Nordeste inteiro de mangar, caçoar. Em recife, particularmente, acho que se aproxima mais do “tirar onda com a cara”. Ex.: “o Assis gosta mesmo é de frescar contigo”, “aí os machos lah da rua descobriram o nome da minha mãe e ficaram frescando com a minha cara”. Outro exemploe, utilizado muito por Karina como “qué arriá é!?”, aqui seria “Ta frescanu, mah!?”

Acolá – Não exclusivamente cearense, mas usado em recife apenas eruditamente. Aqui no ceará, tudo que não é “aqui”, é “acolá”. Exs.: “duvido tu ir de duas rodas nesse quadricículo daqui pra acolá”, “hoje mesmo mataram uma pessoa acolá”

Deu certo? – usado para se saber se qualquer coisa correu direito, mesmo que não tenha que “dar certo”. Ex.: você foi comprar um quilo de castanha no mercado central. Quando você volta, alguém pergunta “deu certo com a castanha!?”. Você saiu para encontrar com uma garota à noite. No dia seguinte alguém pergunta “Deu certo com a menina!?”...

Mercantil – É a denominação que os Cearenses dão a qualquer Super Mercado, ou mercado. Carrefour é um Mercantil. Bompreço também. Exemplo de uso “Vai ali no mercantil comprar um dindin fortaleza e uma ata pra mim, mah!”

DINDIN – por sinal é uma corruptela do nosso tão famoso e colegial Dudu.

Fortaleza - é uma marca de laticínios famosa aqui

Ata – é a expressão que designa aquela deliciosa fruta chamada por nós de PINHA e por alguns de Fruta-do-conde. Por sinal indico, em Recife, o Sucão, e em Fortaleza a Torre do Café (Dragão do Mar), para tomar um delicioso Suco de Pinha ou de Ata, como queiram.

Ralente – é uma variação de Valente. É que cearense tem a mania de trocar R por V, e rice-rersa, vice-versa...exemplo usual.: “Rai ali no mercantil comprar um dindin fortaleza e uma ata pra mim, mah!”

Pois pronto, aguardem outras...

Thursday, May 03, 2007

PROMOÇÃO!

Informo às leitoras do meu blog – se é que há – a promoção das calcinhas Edvane no Carrefour: apenas R$3,99 cada. Saliento que acompanha um soutien com bojo.

Confesso que apesar do meu breve amor pelos porta-seios, como diria minha querida Avó Diana, não sabia o que era soutien com BOJO. Minha amiga Rebeca Pessoa me explicou.

Informo aos meu leitores – se é que há - que “Soutien com BOJO” é “Sutiã com enchimento.”

Pronto. Aproveitem

Wednesday, May 02, 2007

Sobre o poder do silêncio

Um deitado na rede. O outro no sofá. Sem televisão. Sem rádio. Sem som.

...

Silêncio.

...

Olhares.

...

Comunicação:


-...


-...



-...!? (e franziu as sobrancelhas)



-... (com um leve sorriso)



Ps.: para o meu amigo Rodrigo Riszla!