Des.Fecho.?.
Certas histórias não precisam de desfecho. Alguns momentos não necessitam palavras. Palavras pontuais podem representar tudo. O silêncio pode mais.
Um casal teve uma última discussão fervorosa. Ela quebrou o abajour. Ele falou da mãe dela. Ela falou de suas manias. Ele falou de filosofia. Ela desviou-se. Os dois gritaram-se. Incompreensivos. Os dois calaram-se. Incompreensíveis. Perceberam que discutiam sobre nada e nem mais lembravam do assunto. Ele vestiu-se. Ela o acompanhou até a porta. Ela ameaçou falar. Ele baixou a cabeça. Nunca mais se veriam.
Outro momento que carece de verborragias é o momento da morte (que os débeis costumam assemelhar a um sono profundo e eterno. Só os débeis). Quando as amantes do finado chegam ao velório, conhecidas uma da outra, apenas se fitam, irrequietas. Que se diria naquele momento? “tudo bem?”. Tudo, agora, é um silêncio e um abraço.
E me encerro, com uma frase, só ela, - talvez desprovida de sentido - que pode descrever o que alguns tentaram dizer a vida inteira:
“O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cizenta, pela rua estreita que fito” (Bernardo Soares)
Um casal teve uma última discussão fervorosa. Ela quebrou o abajour. Ele falou da mãe dela. Ela falou de suas manias. Ele falou de filosofia. Ela desviou-se. Os dois gritaram-se. Incompreensivos. Os dois calaram-se. Incompreensíveis. Perceberam que discutiam sobre nada e nem mais lembravam do assunto. Ele vestiu-se. Ela o acompanhou até a porta. Ela ameaçou falar. Ele baixou a cabeça. Nunca mais se veriam.
Outro momento que carece de verborragias é o momento da morte (que os débeis costumam assemelhar a um sono profundo e eterno. Só os débeis). Quando as amantes do finado chegam ao velório, conhecidas uma da outra, apenas se fitam, irrequietas. Que se diria naquele momento? “tudo bem?”. Tudo, agora, é um silêncio e um abraço.
E me encerro, com uma frase, só ela, - talvez desprovida de sentido - que pode descrever o que alguns tentaram dizer a vida inteira:
“O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cizenta, pela rua estreita que fito” (Bernardo Soares)

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