Monday, February 20, 2006

Cunversa de Paraense!

Nós fomos um dia desses num rodízio de pizza, lá no restaurante JARDINS. Eu realmente indico aquele rodízio, mas é bom levar um sonrisal, ou uma cadeira de roda. É Muito difícil levantar. Eu comentei que estava com sede e que ia tomar 1 litro d´água quando chegasse em casa, o que deu mote para esta crônica.

“As coisas que dão mais sede, depois de carne de sol, é pizza e salsicha” (Natasha que disse)

Na realidade, eu sempre fico com muita sede depois que como pizza, mas parte da salsicha eu ainda não constatei. Aliás, no Pará é tudo diferente. Me disseram que lá a raça humana se divide em dois sexos: homem e mulher –nesse ponto parece que é igual ao recife. Mas parece que o vocabulário é todo diferente. A nossa piniqueira , lá é “Pipira”; o nosso maloqueiro, é Malaco. Você fala que alguém ta charlando quando ta fazendo bossa, rebolando, pagando de gatão – pois é, em Belém se diz charlar. E ainda tem uma palavra que eu tenho certeza que Natasha inventou: Abicorar. Ela já fez dois gestos diferentes para tentar me explicar o que era isso, mas eu ainda não consegui entender. Égua é uma expressão que você usa no começo da frase mas que não significa nada. Já “dispintar” é desprezar.

A propósito, estou digitando este texto e constatei que este WORD não sabe o que é “oxe”. Qualquer um sabe o que é “oxe”, “mai né foda”!?

Por outro lado, na minha época de Marcondes Sávio – meu sábio mestre – descobri que tem uma festa grande lá, que, salve respeito, parece que é um bocado de gente tentando pegar numa corda! Vai entender! Coisa de Paraense. Mas dizem que é uma festa muito bonita e que atrai muita gente. Marcondes tinha algumas ações a defender em Belém, e uma certa vez uma audiência caiu no dia do Círio de Nazaré. Ele teve que fazer uma petição pedindo para adiar a audiência, vez que não tinha hospedagens nem vôos para a cidade.

Para completar, tem os pratos típicos:

“Maniçoba é feijoada de folha. muuuito gostosa! parece coco de cavalo, mas é muuuito boa”

Eu quis saber mais:

“Tacacá? O que é?”

“tacacá é MA-RA-VI-LHOOOO-SOOO!!!”

“Sim, mas é o que?”

“É uma bebida com um líquido amarelo e ácido, camarão e com umas folhas que deixam a boca dormente sem você poder beber água depois...”

Continuou:

“Além de uma goma que mais parece um cuspizinho, um catarrinho, sabe?”

“hum, deve ser gostoso”

Ainda tentaram me empurrar que o vatapá e o caruru eram do Pará, mas é normal de Paraenses querer dizer que tudo vem de lá.

E tem os pontos turísticos também:

“Sim, mas de ponto turístico tem o Magal das Garças... a Estação das Docas... que é o melhor... para o melhor happy hour tem que ser na Estação”

“Tem as praças gigantes (para quem pensa que o Parque da Jaqueira é perfeito, ainda não conhece a Praça Batista Capos, a Praça da República, da Bandeira). Isso sim é que é praça!”

“O que significa Magal?”

“Magal das Garças. Sei lá por que o nome. Só sei que é um lugar lindo, tipo um jardim botânico!”

E para saber mais um pouco. A segunda maior cidade é Satarém, e depois Castanhal!

Mas no fim de tudo, me falaram tanto que estou quase indo lá conhecer, pois o que o Pará enviou para cá, eu gostei! E aí entendam-se todos os paraenses e paraensas que conheci!

"Meu diário de Invejas"

Mais uma vez, sem nenhum medo de ser imitador, copio um modelo de crônica já batido e já copiado por outros. Tentarei publicar este tipo de crônica pelo menos uma vez por mês, vez que rapidamente atualizável. Pari passu, diariamente se aprende alguma coisa, e sujos que somos, temos sentimento deploráveis como a inveja. Só espero que minha inveja não seja tão avassaladora e que depois que lerem isso não me olhem torto na rua. Vocês também são passíveis dos mesmos sentimentos sujos. Apenas sou um sujo transparente.
Feita essa exposição inicial, começo a divulgar “Meu Diário de Invejas”

Inveja dos que já tiraram aquela foto fingindo que estavam segurando a torre de piza
Dos que deram um beijo, apenas um beijo, apaixonados no topo do World Trade Center.
Dos que tem problemas amorosos e conseguem ter uma ótima noite de sono
Dos que tem qualquer problema e mesmo assim conseguem ter uma ótima noite de sono
Dos que andam na rua e não se preocupam com as linhas
Daqueles que tiveram sonhos, correram atrás deles e quando conseguiram, perceberam que não era nada daquilo que imaginavam.
Inveja grande dos que sempre lembram dos aniversários dos amigos
Inveja dos que conheceram seus avôs.
Inveja de quem não faz Direito
Inveja de quem faz publicidade
Inveja daqueles que fizeram direito até o quinto ano e largaram para fazer publicidade
Inveja daqueles que conseguem escrever diariamente
Daqueles que fazem qualquer coisa diariamente com disciplina
Daqueles que ficaram super famosos, dos melhores anônimos
Dos que moram na Espanha, dos que moram na Grécia, dos que moram em Minsk e dos que moram em Recife.
Inveja de quem já dividiu apartamento com mais seis amigos
Inveja de quem amou uma mulher, silenciosamente, durante quinze anos, e quando revelou seu amor, levou um chute na bunda e então a amou mais quinze anos silenciosamente, e casaram aos 50 depois de três casamentos mal sucedidos.
Inveja de quem dançou Tango na Argentina
De quem viajou o Brasil inteiro pedindo carona, e pelo menos cinco vezes, teve que dormir na rua, por falta de opção ou por falta de dinheiro.
Inveja de quem não sabe o que quer ser daqui há 5 anos.
Inveja de quem viaja sem saber praonde vai.
De quem quer ser pobre
De quem faz o que ama
De quem ama o que faz
De quem já construiu prédios
De quem parece saber TUDO sobre todos os assuntos
De quem não sabe nada e fica caladinho, só escutando
Inveja de quem já apareceu na MTV.
De quem vive de música.
De quem vive pra música
De quem conheceu a Yoko Ono e concluiu que ela não foi o pivot da destruição dos beatles.
De quem conheceu Elis Regina, Janis Joplin, Mussum.
De quem dançou trash dances na época em que não eram trashs
De quem ainda é trash e nem liga pra moda
Inveja de quem conseguiu ser astronauta, de quem conseguiu ser jogador de futebol e daquelas que conseguiram ser esposas de jogadores de futebol.
Inveja dos que não tem medo da morte e conseguem entendê-la
Dos que não tem medo do amor e conseguem entendê-lo
Inveja de quem fala 5 línguas
De quem fez três cursos.
Dos que vivem no frio.
De quem não é ciumento
De quem escreve poesias
Dos que escrevem crônicas sem ter que copiar dos outros.
Dos que copiam dos outros e conseguem esconder isso.
Tenho imensa inveja daqueles que não sentem inveja e, inclusive, pretendo conhecê-los um dia.

Wednesday, February 08, 2006

"Abaca China China" - Divagações sobre o Mérito!

É muito difícil concluir a quem pertence o mérito de uma grande idéia. Ninguém tem uma grande idéia e de repente: PLAM!! Ela está terminada. Não é assim que acontece. No máximo uma grande idéia nasce da sua cabeça e vai sofrendo mutações e, mesmo que indiretamente, influência de outras mentes pensantes. (ali atrás onde lê-se "mutações", leia-se "metamorfose". É mais bonito). Pense bem se você já teve uma grande idéia que já nasceu lapidada?

Exatamente por isso é muito difícil atribuir de quem é o mérito de alguma coisa. É como aquela história que você passa um tempão tentando abrir uma lata de azeitonas. De repente, chega alguém e consegue. Então você solta aquele sonoro:

-“Só conseguiu por que eu afrouxei antes!”

De qualquer forma, intruduzi o presente texto com estas bulhufas para dizer que, se por acaso este Blog tiver algum mérito, ele não me pertence. Pertence a todas as pessoas que são interessantes e que eu tenho a oportunidade de conhecer: Amigos e inimigos, pretos e brancos, ricos e pobres. Hoje, quem tem esse mérito é meu querido primo Paulo Victor - e talvez alguns outros, afinal, uma grande idéia não fica pronta de repente. Só vou retratar com começo, meio e fim – ou sem essa babozeira – uma de nossas conversas.

Nós estávamos falando sobre sérios assuntos, de conhecer o mundo, e de saber o que era felicidade e do perigo que existe em ficar “rico, gordo, velho e triste” e de repente ele vem:

- Quer Frango Agridoce com Shimeji? Adoro quando chego em casa e constato que não existe nada comestível, por que eu posso pedir China in Box®

E continuou...

-Tem abacaxi na china?

É uma pergunta simples de Geografia que ninguém saberia responder. Depois eu tento aclarar. Vai entrar na lista de temas das minhas 53 teses de mestrado.

- that´s a good question!!

- pois é... o frango agridoce veio com abacaxi. Mas eu acho, na verdade, que na China não dá abacaxi!!

- Da próxima vez que eu encontrar um chinês eu pergunto...

Dois minutos de silêncio e...

- Que coisa, né? Ta aí uma boa crônica pro seu blog!

Ele ordenou. Eu só obedeci. Até nisso o mérito – se por ventura existir – é dele. Deixa ele continuar as divagações sobre os “Abacaxis Chineses” (daria nome de livro, igual ao “Bombons Chineses”, que eu li e indico):

- Se bem que a china é tão grande... é capaz até de ter jabuticaba por lá

Dúvida no interlúdio: Seria a Jabuticaba um elemento bem brasileiro para ele ter feito essa comparação? Ou seria só por que é bem sonoro e ficaria bem no Blog? “Yo que sé” (como diria Elton). Siga Paulinho:

- Se você pensar bem, antes da separação dos continentes, a China era grudada com o Chile, (que é bem fininho, então não conta muito). Então era vizinha ao Brasil...

- A mais pura verdade – constatei – Chamava Pangéia, né?

- É isso! Eu tava tentando lembrar e só me vinha panegírico

- Que é? – perguntei na minha eterna ignorância.

- Ah, é uma obra muito grande sobre alguém!

Sem duvidar, mas só para constar, perguntei ao Oráculo (Houaiss), que me respondeu:

 substantivo masculino
1 Rubrica: literatura.
discurso público em louvor a alguém ou a um ser abstrato
2 (1899) Derivação: por extensão de sentido.
elogio solene
 adjetivo (1679)
3. que louva, que contém louvor; elogioso, laudatório


- Menino, que dicionário é esse?

- Dicionário Eletrônico Houaisss – Respondi me gabando da minha aquisição.

- Esse Houaiss é muito elegante. Eu tenho um aqui, americano, que se chama “webster's”. Tem texto até sobre a história do botão.

E continou...

- Botão de roupa, porque americano não saberia jogar futebol de botão. (ele já morou lá e pode constatar isso!)

Então só para completar, a pesquisa. Mas antes, já perceberam que “abacaxi na China” lido de vez, fica “abaca China China”. Infame. Vamo às pesquisas.

“Quando Cristóvão Colombo chegou à ilha de Guadalupe, no Novo Mundo, o abacaxi foi oferecido aos invasores europeus num gesto de hospitalidade e boas-vindas. Por sua semelhança, um tanto forçada e bastante apressada, com o fruto do pinheiro europeu, a fruta foi então chamada de pina.

O abacaxi, com o nome de pina, foi levado para a Europa como testemunho da exuberância exótica das terras existentes a oeste do Atlântico. Espécie de fruto de fácil dispersão e cultivo, o abacaxi cruzou os mares do mundo a bordo de galeões e caravelas, chegando para ficar na África, na China, em Java, na Índia e nas Filipinas. Nesses locais o abacaxi se propagou com facilidade e rapidez, tendo sido muito bem aproveitado nos últimos cinco séculos, e não apenas como saboroso fruto.”

Ta aí a resposta! Grande Abraço a todos os meus dois leitores!

Monday, February 06, 2006

Vou morar na capital da Esbórnia!!

Constatações de uma sexta-feira com trabalho, sem trabalho.

Mas uma vez uma crônica bestinha por falta de criatividade e por que me advertiram novamente que se não escrevesse logo, corria o risco de morgar! (morgar o que?)

Olhe, antes de tudo vou esclarecer que eu até gosto de poemas que falam sobre amor. Mas não faz meu estilo. Acho muito agridoce, como disse um crítico de cinema hoje do Diário de Pernambuco. Então, o que me incentiva a escrever são pequenas conversas com amigos inteligentes e ainda mais as conversas com amigos pregos(o que é a maioria). Ler Samarone, Noblat, também incentiva muito.

Por outro lado, quando eu escrevo sobre alguma coisa poética, tento ser mais fiel ao vocabulário clássico, se bem que acho que a linguagem das ruas tem uma poesia da porra. Como hoje o texto não é sobre poesia, me dou o direito de falar “Porra”, posso? Aliás, o texto de hoje não é sobre nada, ou seja, porra nenhuma, em linguagem popular.

Vamos às constatações:

1.Quem trabalha pouco, geralmente é mais feliz. Eu vejo isso lá no gabinete. Digamos que não temos uma grande sobrecarga de trabalho. Esta pode ser a minha primeira impressão, e também temos que considerar que esta fase não é eleitoral( e trabalhamos num gabinete eleitoral). Porém, acho que quem não trabalha também não é feliz. Incutiram nas pessoas um espírito de trabalho que eu nun sei pra que serve, mas também fui absorvido por este conceito, de forma que trabalhar, hoje em dia, aumenta o seu coeficiente de utilidade perante você mesmo.

2. É Muito interessante vir da Zona Norte para Boa Viagem às 18:00 num dia comum de trabalho, principalmente na segunda-feira. Naquele engarrafamento infernal, é incontável a quantidade de “Caralho” e de “Filho-da-puta” e ainda de “vá pra puta que te pariu” que a gente ouve. Se não ouve, pelo menos vê o movimento da boca. Ô povo estressado! Vá dar comida aos pombos, faça uma boa ação e corra na praia! Já ajuda!

3. Você já perceberam que os sinais da Domingos Ferreira, acho que quase todos tem o “time” de 81 segundos? Ou seja, 1 minuto e 21 segundos? (ainda bem que eu expliquei. Matemática sempre foi o meu forte). Pois é, ai fica tudo sincronizado. Você vai passando e parece que nun tem sinal. Essa turma que criou isso... ô turma inteligente da porra, viu?

4. Outra coisa, eu adoro Boa viagem, sempre vivi aqui, e nunca tive vontade de morar na Zona Norte. Mas parece que todos os recifólogos(tem gente que estuda mesmo a cidade) que eu conheço dizem que a alma de recife está do lado de lá. E, infelizmente, eu tenho que admitir. Qualquer dia eu me mudo para lá. Mas isso são planos para o futuro. Um dia desse fomos andando até a casa de Fernanda, namorada de Renato. Aquelas ruas com árvores, passarinhos, é tudo tão bucólico.

5.Esbórnia parece nome de país. É mistura de Escócia com Bósnia! Mas na realidade tem assim no Houaiss ó: Esbórnia -  substantivo feminino: festa ou encontro festivo em que predominam o hedonismo e o desregramento; farra, pândega;orgia sexual.

6. Assim despeço-me dos Senhores com muita alegria e perseverança de que o Brasil é o país do futuro. (adoro estas frases bem clihê).