Ana Baf- Convide-me a conhecê-la
Me sobrou o mínimo de depressão necessária para escrever uma reles crônica. Me faltou um garrafa de vinho. Esta tosse tuberculosa, além de não me deixar beber, me faz borrar o texto e pontuar onde não devo. Nesse momento de insuficiência pensante, acontece algo quase sempre improvável e a luz do pensamento acende. Não foi este o caso. Para a minha salvação literária ocorreu diferente.
Apenas não posso dizer que este texto me foi trazido numa garrafa vinda do pacífico, por que eu tenho noção de até onde o clichê pode chegar. Mas confesso que veio voando. Caiu aqui na minha frente e derrubaria a taça do vinho, se eu pudesse bebê-la. Mas aparentemente, de fato, o texto se molhou com o meu vinho psicológico. Ao que merece ser degustado pelos sentidos literários.Só de sentir o aroma do vinho, é latente o bouquet de raiva, medo, orgasmos, explosões. Incensa o ambiente de sentimentos sujos e pequenos. Envolvimento total. Fortes perfumes de lascívia e violência grátis. O cheiro quase engana. E parece que a intenção é essa: enganar.
As lágrimas do vinho são as mesmas que parecem ter molhado este pedaço de papel.
Ao primeiro gole de verbos, sobressai os sabores de ódio e de perversidade. Na ponta da língua é possível sentir um pequeno ardor que parece a busca pelo alter ego ou a procura por alguma outra coisa. Com um pouco mais de insistência, mais tempo com o vinho na boca – ou com os olhos no texto – permance um sabor acre e amargo com detalhes de frustação e depressão.
Ao fim, apenas como teste de persistência, apenas cuspi o vinho e aconteceu o que era esperando num VINTAGE de qualidade. Permaneceu nos sentidos durante um bom tempo.
Depois de reler algumas vezes, saí apenas infectado. Quase tão pernicioso quanto o autor(a). Ainda me veio quase borrado a assinatura Ana Baf! Convide-me a conhecê-la.
Pensamentos de um Suspiro.
Mas se palavras gentis de persuasão
Não encontram meio de abrandar-vos,
Terei de cortejar-vos como soldado,
E contra a lei do amor, a amar forçar-vos.
(SHAKESPEARE: Os Dois Cavaleiros de Verona.)
De fato cansei, finalmente, nessa altura de minha vida, dessa boa pessoa que me fiz. Cansei de ser o tão bom e compreensivo escudeiro, o amigo do peito, o irmão de todas as horas. Que se danem todos. Que se fodam!!
Quero sentir vibrante no peito as ondas do proibido, e que me complete o proscrito e marginalizado, o abominado, o nefasto......não sou eu outra coisa que não isto, não sou eu de matéria mais estérea que esta, por mais que a aparência me desminta, como um anjo nascido no inferno !!
Que me torne indiferente como a mãe que abandona a cria. Que me transforme do riso sinico e fleumático de um garotinho, que na manhã de um domingo, mata um passarinho. Que eu esteja em cada murro dado, em cada encéfalo na pista, em cada dente no chão. Que me vejam nas placentas jogadas aos rios, nos fetos nos baldios, no sangue nos azulejos.
Quero como amigos Mefistófeles, Adramalech, Baal, Jezebedth...todos em grande roda, com um único propósito e um único sentimento....para que assim, quem sabe, eu encontre um cúmplice para minhas angustias ou compreensão em outros olhos que não sejam os meus no espelho.
Quero rir e dançar na frente dos que morrem, gozando a vida que eles não tem....quero que me invejem essas pobres almas condenadas....cuspindo no feio, me saciando na expiação do faminto, seduzindo os infelizes....
Quero ser o câncer recém descoberto, o medo dos filhos na frente dos pais, a malicia do psicopata trabalhando em sua vítima, os gritos de ais, a danação, a dor eterna...quero que me invejem e sintam receio de mim. Quero ser o asco de uma mulher violada, a violência de uma tapa, a terra que cai no caixão.
Derradeiro em tudo, que não seja mas eu um simples arroto de Deus...que me ponha além de todos, impiedoso e frustrado, sem saber o que é o amor ou o carinho...pois já, então, me bastarei, e de tudo que se retorce e espinha serei imagem e exatidão. Irmão de sina dos desvalidos, cão minguado, animal.
Quero tudo isso....pois antes o ódio que a indiferença, antes o temor que a complacência, antes o horror que a insensibilidade.
Quero que você me veja.....nem que seja com uma felpa a mais na cruz a espinhar o Salvador, nem que me entenda como um beijo antes de um adeus.......nem que me deteste....
Ahh!
-Sim senhor, tudo bem e você? quanto tempo não eh?
Apenas não posso dizer que este texto me foi trazido numa garrafa vinda do pacífico, por que eu tenho noção de até onde o clichê pode chegar. Mas confesso que veio voando. Caiu aqui na minha frente e derrubaria a taça do vinho, se eu pudesse bebê-la. Mas aparentemente, de fato, o texto se molhou com o meu vinho psicológico. Ao que merece ser degustado pelos sentidos literários.Só de sentir o aroma do vinho, é latente o bouquet de raiva, medo, orgasmos, explosões. Incensa o ambiente de sentimentos sujos e pequenos. Envolvimento total. Fortes perfumes de lascívia e violência grátis. O cheiro quase engana. E parece que a intenção é essa: enganar.
As lágrimas do vinho são as mesmas que parecem ter molhado este pedaço de papel.
Ao primeiro gole de verbos, sobressai os sabores de ódio e de perversidade. Na ponta da língua é possível sentir um pequeno ardor que parece a busca pelo alter ego ou a procura por alguma outra coisa. Com um pouco mais de insistência, mais tempo com o vinho na boca – ou com os olhos no texto – permance um sabor acre e amargo com detalhes de frustação e depressão.
Ao fim, apenas como teste de persistência, apenas cuspi o vinho e aconteceu o que era esperando num VINTAGE de qualidade. Permaneceu nos sentidos durante um bom tempo.
Depois de reler algumas vezes, saí apenas infectado. Quase tão pernicioso quanto o autor(a). Ainda me veio quase borrado a assinatura Ana Baf! Convide-me a conhecê-la.
Pensamentos de um Suspiro.
Mas se palavras gentis de persuasão
Não encontram meio de abrandar-vos,
Terei de cortejar-vos como soldado,
E contra a lei do amor, a amar forçar-vos.
(SHAKESPEARE: Os Dois Cavaleiros de Verona.)
De fato cansei, finalmente, nessa altura de minha vida, dessa boa pessoa que me fiz. Cansei de ser o tão bom e compreensivo escudeiro, o amigo do peito, o irmão de todas as horas. Que se danem todos. Que se fodam!!
Quero sentir vibrante no peito as ondas do proibido, e que me complete o proscrito e marginalizado, o abominado, o nefasto......não sou eu outra coisa que não isto, não sou eu de matéria mais estérea que esta, por mais que a aparência me desminta, como um anjo nascido no inferno !!
Que me torne indiferente como a mãe que abandona a cria. Que me transforme do riso sinico e fleumático de um garotinho, que na manhã de um domingo, mata um passarinho. Que eu esteja em cada murro dado, em cada encéfalo na pista, em cada dente no chão. Que me vejam nas placentas jogadas aos rios, nos fetos nos baldios, no sangue nos azulejos.
Quero como amigos Mefistófeles, Adramalech, Baal, Jezebedth...todos em grande roda, com um único propósito e um único sentimento....para que assim, quem sabe, eu encontre um cúmplice para minhas angustias ou compreensão em outros olhos que não sejam os meus no espelho.
Quero rir e dançar na frente dos que morrem, gozando a vida que eles não tem....quero que me invejem essas pobres almas condenadas....cuspindo no feio, me saciando na expiação do faminto, seduzindo os infelizes....
Quero ser o câncer recém descoberto, o medo dos filhos na frente dos pais, a malicia do psicopata trabalhando em sua vítima, os gritos de ais, a danação, a dor eterna...quero que me invejem e sintam receio de mim. Quero ser o asco de uma mulher violada, a violência de uma tapa, a terra que cai no caixão.
Derradeiro em tudo, que não seja mas eu um simples arroto de Deus...que me ponha além de todos, impiedoso e frustrado, sem saber o que é o amor ou o carinho...pois já, então, me bastarei, e de tudo que se retorce e espinha serei imagem e exatidão. Irmão de sina dos desvalidos, cão minguado, animal.
Quero tudo isso....pois antes o ódio que a indiferença, antes o temor que a complacência, antes o horror que a insensibilidade.
Quero que você me veja.....nem que seja com uma felpa a mais na cruz a espinhar o Salvador, nem que me entenda como um beijo antes de um adeus.......nem que me deteste....
Ahh!
-Sim senhor, tudo bem e você? quanto tempo não eh?

4 Comments:
PROFUNDO! INSANO!!
Muito bom! ;)
Caramba Erik....
Tendo muito...faltou a esse texto hipocrisia...tem a sinceridade da alma.
Gostei do lance do vinho psicologico...desse, igual ao outro, fale a pena encher a cara vez ou outra!!
Falow, abração!!
é sim...
Eu sou assim tb, mas tô lendo 'Como ser legal", de Nick Hornby. Em breve, não mais serei uma pessoa má.
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