WELFARE STATE - a Faca de dois Legumes
"Pernambuco, o estado do medo" é a mensagem que está estampada em alguns OUTDOORS da cidade. Não sei bem se o "estado" é com "E" maiúsculo ou minúsculo, por que, se for com maiúsculo quer dizer que é Estado-membro, ou seja, "o Rio Grande do Sul é a terra do vinho" e "Pernambuco é o Estado do medo", é o nosso maior atributo. Por outro lado, se o "e" for minúsculo, significa estado da espírito, como "neste momento Pernambuco é tomado pelo medo", não é feliz, não é triste, o Estado de Pernambuco encontra-se no estado do medo.
Foi esse o assunto daquela ótima conversa fiada de mesa de bar(me parece que 90% das boas conversas nascem em mesa de bar, assim como 90% das piores conversas).
Um garoto passou, com cara de cheirado, e pediu um cigarro. Eu não daria cigarro para um moleque de 14 anos – nem Diógenes. O pivete insistiu algumas vezes e quando percebeu que não alcançaria seu objetivo:
"O pulmão de vocês vai estourar".
E saiu com aquela cara de "a gente se encontra no lava-jato depois do toque da saída", deixando um olhar baixo de lado.
Alexandre*, nosso amigo e segurança do posto, disse que aquilo era a coisa mais comum e que aquela patotinha pertencia ao outro posto, mas davam umas voltas ali quando não tinha mais o que fazer (vide Bruno, tema da primeira crônica, que estava lá, como de praxe). Confirmou inclusive com Thomás, que vinha chegando e que, até então, não nos era conhecido. Mesmo assim, deu um novo ar a conversa.
"Esse meninos do posto são muito mal acostumados. Já dei várias coisas. Uma vez dei um pacote biscoito a Bruno, ele comeu dois e saiu distribuindo. Noutra oportunidade, encontrei ele no bompreço quando estávamos fazendo a feira de Natal. Ele pediu alguma coisa pra comer e eu disse a ele que pegasse. Fiz minhas compras: galinha, aquele Panetone genérico do Bompreço e coisas de Natal em geral. Quando chego no caixa, Bruno tá com um carro do mesmo tamanho do meu, só que com Panetone Bauduco e Peru, vê se pode!?".
Com aquela cara de "eu tentei ajudar", continuou:
"Se eu fosse eleitor governador desviaria tudo pra educação, saúde e segurança fica pra depois, por que aí o povo educado fica menos doente e como vai ganhar mais dinheiro não vai precisar cometer crimes".
Penso exatamente igual a ele, com algumas ressalvas. Fazer isso, seria, analogicamente, proporcionalmente, fazer o mesmo que Hitler: vamos limpar a raça escolhendo alguns para morrer. Desviando tudo para educação, quem está já doente perde a vida. O mesmo entenda-se com a segurança. Educação é, de fato, a melhor forma de ajuda, vez que cresce em Progressão Geométrica: um Alfabetizado vai educar dois filhos que vão educar 4 netos, etc..., mas não se pode olvidar as outras mazelas sociais.
Falando de novo sobre dar aquelas pequenas ajudas, Thomás disse que era melhor não ajudar mais, pois Bruno, hoje em dia, recebe ajuda de todo mundo. É pequeno, ainda. Todo mundo tem "pena"(que ele disse ser o pior sentimento do mundo). Mas que quando ele crescesse, ninguém mais iria querer ajudar.
"Quando ele se deparar com esta situação, não vai entender e vai começar a querer roubar. É melhor que ele veja a situação a partir de agora".
No mesmo esteio, Diógenes disse o que poderia ser mais certo: "Existem dois aspectos de se ver esta problemática: 1. A educação que é dada em casa e que vai pra sociedade. 2. a Educação que a sociedade dá e que volta para casa.". Entendam como queiram. Tá aí uma boa razão para se pensar!
PósScritum: Nosso querido amigo Alexandre está com um abcesso no braço, mas tá muito difícil conseguir uma consulta e ele não pode largar o trabalho pois tem 5 filhos para criar. Quem conhecer alguma forma de facilitar uma consulta pública. Por favor contribua para o WELFARE STATE, vulgo, Bem-estar social!
Foi esse o assunto daquela ótima conversa fiada de mesa de bar(me parece que 90% das boas conversas nascem em mesa de bar, assim como 90% das piores conversas).
Um garoto passou, com cara de cheirado, e pediu um cigarro. Eu não daria cigarro para um moleque de 14 anos – nem Diógenes. O pivete insistiu algumas vezes e quando percebeu que não alcançaria seu objetivo:
"O pulmão de vocês vai estourar".
E saiu com aquela cara de "a gente se encontra no lava-jato depois do toque da saída", deixando um olhar baixo de lado.
Alexandre*, nosso amigo e segurança do posto, disse que aquilo era a coisa mais comum e que aquela patotinha pertencia ao outro posto, mas davam umas voltas ali quando não tinha mais o que fazer (vide Bruno, tema da primeira crônica, que estava lá, como de praxe). Confirmou inclusive com Thomás, que vinha chegando e que, até então, não nos era conhecido. Mesmo assim, deu um novo ar a conversa.
"Esse meninos do posto são muito mal acostumados. Já dei várias coisas. Uma vez dei um pacote biscoito a Bruno, ele comeu dois e saiu distribuindo. Noutra oportunidade, encontrei ele no bompreço quando estávamos fazendo a feira de Natal. Ele pediu alguma coisa pra comer e eu disse a ele que pegasse. Fiz minhas compras: galinha, aquele Panetone genérico do Bompreço e coisas de Natal em geral. Quando chego no caixa, Bruno tá com um carro do mesmo tamanho do meu, só que com Panetone Bauduco e Peru, vê se pode!?".
Com aquela cara de "eu tentei ajudar", continuou:
"Se eu fosse eleitor governador desviaria tudo pra educação, saúde e segurança fica pra depois, por que aí o povo educado fica menos doente e como vai ganhar mais dinheiro não vai precisar cometer crimes".
Penso exatamente igual a ele, com algumas ressalvas. Fazer isso, seria, analogicamente, proporcionalmente, fazer o mesmo que Hitler: vamos limpar a raça escolhendo alguns para morrer. Desviando tudo para educação, quem está já doente perde a vida. O mesmo entenda-se com a segurança. Educação é, de fato, a melhor forma de ajuda, vez que cresce em Progressão Geométrica: um Alfabetizado vai educar dois filhos que vão educar 4 netos, etc..., mas não se pode olvidar as outras mazelas sociais.
Falando de novo sobre dar aquelas pequenas ajudas, Thomás disse que era melhor não ajudar mais, pois Bruno, hoje em dia, recebe ajuda de todo mundo. É pequeno, ainda. Todo mundo tem "pena"(que ele disse ser o pior sentimento do mundo). Mas que quando ele crescesse, ninguém mais iria querer ajudar.
"Quando ele se deparar com esta situação, não vai entender e vai começar a querer roubar. É melhor que ele veja a situação a partir de agora".
No mesmo esteio, Diógenes disse o que poderia ser mais certo: "Existem dois aspectos de se ver esta problemática: 1. A educação que é dada em casa e que vai pra sociedade. 2. a Educação que a sociedade dá e que volta para casa.". Entendam como queiram. Tá aí uma boa razão para se pensar!
PósScritum: Nosso querido amigo Alexandre está com um abcesso no braço, mas tá muito difícil conseguir uma consulta e ele não pode largar o trabalho pois tem 5 filhos para criar. Quem conhecer alguma forma de facilitar uma consulta pública. Por favor contribua para o WELFARE STATE, vulgo, Bem-estar social!

3 Comments:
pois é meu velho...
eu tambem nao tenho dado mais nada nao pra os pivetes
hehehehe
amanha tem bolo??
ou só cerveja e camarao???
hehehe
Será que este seu querido amigo Alexandre pode ir a Ipojuca? Hospital Carolzita Brito!! Apesar de ser em Ipojuca, lá é mais fácil de conseguir uma consulta...
Cara, também concordo com vcs...tudo começa pela educação, pela educação funcional!! Vide Japão, Coreia, Irlanda...
Mas passa pela sociedade. Um dos males brasileiro é a resignação (alguns dissem que isso se deve a má-formação, ciclo vicioso então), mas de fato, cabe a sociedade papel principal da mudança de uma sociedade...não se fala de igualdade entre brancos e negros sem falar de Luther King ou Mandela. Mas é isso...falar é mais fácil que fazer...mas falar é melhor que calar!!
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