Monday, April 23, 2007

DIVAGAÇÕES DE JEMERSON E ELISE, MEUS AJUDANTES

A.S.: Eu gosto de jogar idéias rápidas e conectadas. Tudo bem, às vezes, nem tão conectadas. Mas acho muito feio quando se escreve “ e aí você pensa...” ou “é quando você olha pra vida e diz...”, assim, o usar o termo “você” meio indistintamente. Por isso, desta vez, sempre vou usar o termo Jemerson, quando quero dizer “você”. Assim fica mais geral. Jemerson, a propósito, é o nome do meu Copo Grande. É o marido de Elise ( A Taça) que me acompanha agora nestas letras.

Essa semana, tive o grande e quase inestimável prazer de receber dois queridos amigos de Recife na minha nova terra: Fortaleza. Está se tornando um hábito cada vez mais freqüente os recifenses virem para cá, para a minha morada, degustar dos prazeres desta terra Fortal. É quase sempre bom ter a casa cheia de visitas, com seus cacarecos e maneiras estranhas. Desta vez foi ótimo. Teve Mucuripe. Teve samba, teve samba e teve samba: ABRASPAS para a alegria dos tamborins da minha amiga Taís Costa FECHASPAS.

Porém o título de melhor momento do fim de semana fica para uma quase silenciosa e quase bucólica manhã que tive com Natasha enquanto Henrique dormia. Manhã de poucas palavras, mas de muita paz. Conversas bem lentas. Ótima companhia do chá preto!

Nestas visitas passei a observar que são inevitáveis as comparações. O meu pai, na praia, diz “então aqui é onde as pessoas vem. É o acaiaca de lá”. Henrique fez uma constatação que só ele é capaz: “aqui Fortaleza tem mais Caminhão-Pipa que em Recife”. Meu Jeová, quem para pra analisar a quantidade de caminhões-pipa de uma cidade?

Natasha está por um fio de cabelo de sapo para vir morar aqui. Já tinha vindo, mas ficou encantada de novo. Ficou Reencantada (aproveitando a chance pra criar neologismos). Inclusive - só por que este parágrafo ficou muito pequeno – Ontem foi aniversário dela. Meus parabéns!

Turista tem isso né? Acha tudo lindo. Mas Fortaleza tem suas Belezas e suas Mazelas como qualquer outra capital. A violência é crescente aqui, tendenciosa ao Caos, como em Recife. Os recifenses pensam que Fortaleza é como Natal, uma cidade tranqüiiiila, onde os pássaros cantam e as pessoas conversam baixinho em cadeiras nas frentes das suas casas – quase um comercial do MARACUJINA. A situação de Fortaleza, definitivamente, não é essa, afinal, nem Natal é mais como Natal.

Quando Jemerson vem para morar numa cidade nova, chega e parece turista. Jemerson, por exemplo, era louco pra conhecer “o cruzamento da Avenida Ipiranga com a avenida São João”, mesmo que Elise tenha dito que nada tem de graça e que só fica bonito em música mesmo. Jemerson vai conhecendo aos poucos a nova cidade. Estranhamente, escolhe para morar um ponto onde tivesse que passar obrigatoriamente por aquele cruzamento todos os dias, e das 10 primeiras vezes delira quando passa por ele. Abre um cerveja gelada e fica no carro, sozinho, aparentando estar sorrindo – quando na verdade está gargalhando, por dentro – de tanta alegria. Nas 10 vezes seguintes, olha com um pouco de alegria e um sorriso meio murcho de canto de boca, quase dizendo “eu alcancei um sonho”.

Daí em diante Jemerson vai se acostumando com a cidade e deixando de observar os pequenos charmes e a metrópole tão sonhada vai perdendo as graças.

Jemerson se muda novamente, louco pela Torre Eiffel, apesar de Elise tê-lo dito que prefere a Torre da Antena de Brasília. Mas só acha graça nas 5 primeiras vezes. Depois você se muda novamente e olha para as Cataratas do Niagara só de relance – não precisa dizer que Elise o advertiu de Foz do Iguaçu.

As novas cidades perdem a graça. Até que chega um momento em que o mundo é pequeno para Jemerson e nada mais faz sentido. Chega em uma nova cidade e tudo é velho!

Eu fico pensando que a vida é uma bela viagem. Não creio em espiritismo, não creio em catolicismo, não creio em budismo. Não creio em nada. Mas creio nesta bela viagem. Não penso em descobrir para onde vamos. Teve gente que perdeu a vida inteira querendo saber para onde ia e esqueceu de observar onde estava. Perdeu a noção de tempo e não olhou para o Big Ben quando deveria.

Acho que as pessoas não podem deixar de ser turistas na vida. De olhar a vida como um lugar novo, cheio de coisas para serem descobertas. Cheio de novas pessoas querendo fazer o bem. Claro, que nem tudo isso é verdade. Mas o erro está em duvidar de tudo. A vida começa a perder a graça quando Jemerson não se dá o direito de ajudar uma Senhora na rua por que o risco de assalto é tão grande que não se pode parar.

Conclusão: Seja sempre um turista!

P.S.: Não sei se existe a expressão Ante.Scriptum (A.S), mas se não existia, agora existe.

P.S2.: Usei Jemerson como um exemplo, mas aposto que Jemerson, o meu Copo, pararia para ajudar um Bule velho na rua.

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Um brinde a Elise! :)

7:42 PM  
Anonymous Anonymous said...

amigo!! vc ganhou mais uma leitora assídua viu! e pode escrever o livro de crônicas que além de comprar ainda faço a assessoria de imprensa pra vc!
Eu adoro Elise já hehehe bjos

5:59 AM  

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