Paisagem Poética
Sendo tua aquela carta apócrifa, rumei para aquela casa da montanha muito alta onde costumávamos usar só pijamas; ou não.
E só encontrei raspas de caqui.
Naquele café onde sempre pedíamos frapuccino gelado e discutíamos nossas teses de mestrado, o garçom
fez cara de ausência quando mencionei seu nome.
Naquele esperto lago na frente da praia onde deixamos nossas lembranças e nossos fluidos,
Haviam apenas roupas de seda carcomidas e vontades em velocidade passeio
Aquele abajour, que abrigava uma foto de um verão em Paris, tardava a acender
(fiquei calculando a possibilidade de acendê-lo sozinho, mas não logrei. Os anjos nem sempre...
Agora, quando leio Vinícius nos tons mais altos,
as palavras ocas almejam pares, ricocheteiam nas bordas da sala e se perdem neste ar rarefeito, difícil de respirar.
Talvez não sejamos, em tudo, realidade
E resolvi voltar casa e cultivar laranjas, onde te encontro melhor, com roupas de seda, raspando caqui por sobre o frapuccino gelado.
(este texto não deveria ser publicado em blog... as linhas do texto, quando escritas em papel no formato paisagem, formam um montanha. Tentem)

1 Comments:
Experimentalismo?
Sim, aceito.
E aquele café hein?!
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